{"id":518,"date":"2012-07-27T14:29:27","date_gmt":"2012-07-27T14:29:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontracambuci.com.br\/noticias\/?p=518"},"modified":"2019-04-29T19:51:28","modified_gmt":"2019-04-29T19:51:28","slug":"cambuci-moradores-de-ocupacao-dizem-sofrer-violencia-policial-sistematica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontracambuci.com.br\/sobre\/cambuci-moradores-de-ocupacao-dizem-sofrer-violencia-policial-sistematica\/","title":{"rendered":"Cambuci: Moradores de ocupa\u00e7\u00e3o dizem sofrer viol\u00eancia policial sistem\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div class=\"8b0563efa0ad82100d298ba2796cd14a\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>Boa parte da sociedade paulistana pode n\u00e3o saber da exist\u00eancia da ocupa\u00e7\u00e3o Sete, edif\u00edcio abandonado na rua da Independ\u00eancia, no bairro do Cambuci, zona sul de S\u00e3o Paulo, onde vivem 370 pessoas. A Pol\u00edcia Militar (PM), contudo, parece conhec\u00ea-la bem. Os sem-teto que ali vivem dizem, quase em coro, que a agress\u00e3o policial faz parte do dia a dia da ocupa\u00e7\u00e3o. Nesta semana, os moradores devem instalar o s\u00e9timo port\u00e3o no edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Os seis anteriores foram estourados por agentes da PM nos \u00faltimos cinco anos. De acordo com eles, entrar ou sair do pr\u00e9dio, entre as 22 horas e a meia-noite pode ser perigoso. Pelo menos tr\u00eas vezes por semana, policiais entram no edif\u00edcio nesse hor\u00e1rio e, em busca de drogas, abordam as pessoas que veem \u00e0 porta e vasculham as casas e os barracos dos moradores. Segundo eles, h\u00e1 duas semanas um jovem foi preso sob a acusa\u00e7\u00e3o de tr\u00e1fico de drogas, e arrastado at\u00e9 a viatura pelos p\u00e9s. Antes de ser levado, teria sido torturado por cerca de 30 minutos.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o Sete n\u00e3o se parece em nada com aquelas que existem nos edif\u00edcios Mau\u00e1 e Prestes Maia, no bairro da Luz, no centro da cidade. Ela n\u00e3o \u00e9 coordenada por nenhum dos movimentos de sem-teto da cidade. \u201c\u00c9 uma ocupa\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica\u201d, disse o ativista social e soci\u00f3logo Jeff Anderson, que coordena o Ocupa\u00e7\u00e3o Criativa, um projeto de habita\u00e7\u00e3o para o local. \u201cTrata-se de uma invas\u00e3o volunt\u00e1ria\u201d. O pr\u00e9dio pertencia a uma gr\u00e1fica, est\u00e1 abandonado h\u00e1 mais de 15 anos e ocupado h\u00e1 12. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma disputa judicial, segundo os moradores, visando a reintegr\u00e1-lo. S\u00e3o 125 fam\u00edlias, vivendo em quatro andares, em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e de higiene. H\u00e1 energia el\u00e9trica e \u00e1gua, mas h\u00e1 um problema na sa\u00edda de esgoto, no primeiro andar, que inunda o piso. \u201cEle ser\u00e1 reparado em breve\u201d, afirma Anderson.<\/p>\n<p>Em visita ao edif\u00edcio, os moradores gostam de falar de tudo, mas, a princ\u00edpio, relutam em tocar no tema da pol\u00edcia. Temem repres\u00e1lias. Nunca prestaram queixas \u00e0 Corregedoria da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo, nem a ningu\u00e9m. Eles dizem que se o fizerem, os policiais os tratar\u00e3o com mais viol\u00eancia. \u201cN\u00e3o gostou? Por que voc\u00ea n\u00e3o reclama pra Corregedoria? Denuncia a gente e voc\u00ea vai ver, vamos botar fogo nesse pr\u00e9dio inteiro\u201d, teria dito um dos agentes ao auxiliar de caixa Rafael Guilherme da Silva, de 24 anos, um dos moradores. \u00a0\u201cEu tenho medo do que eles possam fazer com a gente , disse outro morador, o catador de materiais recicl\u00e1veis Genivaldo de Souza Santos, 46, \u201cmas, se a gente n\u00e3o falar nunca, eles v\u00e3o fazer isso pra sempre\u201d. Depois de muita insist\u00eancia, decidem contar.<\/p>\n<p>As visitas da pol\u00edcia s\u00e3o sistem\u00e1ticas. Eles encostam as viaturas a duas quadras do edif\u00edcio, com as sirenes e os far\u00f3is desligados e caminham silenciosamente at\u00e9 o edif\u00edcio. L\u00e1 dentro, os pequenos apartamentos feitos de concreto e os barracos de madeira t\u00eam suas portas abertas violentamente e reviradas inteiramente, narram os moradores. O n\u00famero de agentes varia, mas h\u00e1 sempre dois que encabe\u00e7am as opera\u00e7\u00f5es. O nome deles? N\u00e3o se sabe, pois eles escondem suas identifica\u00e7\u00f5es antes de entrarem no pr\u00e9dio. Dizem aos moradores para serem identificados somente por apelidos \u2013 \u201cZ\u00f3io de gato\u201d e \u201cMenor do chapa\u201d.<\/p>\n<p>Santos j\u00e1 perdeu a conta de quantas vezes sua casa foi vasculhada. \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 pedindo pra eles n\u00e3o entrarem. S\u00f3 queremos ser tratados com mais respeito. Eles chegam, batem, d\u00e3o tapa, gritam, xingam e humilham\u201d, disse. Sua filha, Let\u00edcia Ferreira de Freitas, de 21 anos, contou que certa vez arrombaram a porta de sua casa. \u201cVoc\u00eas n\u00e3o podem entrar aqui assim. Eu estou gr\u00e1vida\u201d, teria dito ela aos agentes. \u201cE da\u00ed? Eu quero que voc\u00ea perca o beb\u00ea\u201d, teria respondido um dos agentes. Ela contou que \u00e9 revistada por agente homens constantemente, o que viola a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um estudante de 15 anos foi abordado h\u00e1 um m\u00eas pelos policiais. Eles o revistaram \u00e0 procura de drogas, apontaram o rev\u00f3lver em sua cara, interrogando-o, e o agrediram. Ele pintava o novo port\u00e3o enquanto conversava com a reportagem. \u201cTodos os outros que colocamos, para dar seguran\u00e7a ao pr\u00e9dio, foram arrombados&#8221;, contou. O \u00faltimo port\u00e3o foi arrancado por uma viatura, de acordo com o motoboy Rafael Fel\u00edcio, filho da empregada dom\u00e9stica Maria Aparecida Oliveira, de 60, moradora da ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cEles amarraram uma corda no port\u00e3o e aceleraram\u201d, contou. \u201cSe colocarem de novo, vamos derrubar a bala\u201d, teriam dito os policiais, em amea\u00e7a aos moradores.<\/p>\n<p>Maria viu pessoalmente h\u00e1 duas semanas a pris\u00e3o de Josiel Bitencourt dos Santos, de 25, que n\u00e3o tem qualquer fam\u00edlia na cidade, e foi at\u00e9 o 8\u00ba Distrito Policial, no bairro da Mooca, zona Leste da cidade. A acusa\u00e7\u00e3o era tr\u00e1fico de drogas. De acordo com ela, na abordagem, eles for\u00e7aram uma confiss\u00e3o, espancando-o. Ensanguentado, ele foi arrastado at\u00e9 a viatura. \u201cBateram tanto no menino que as crian\u00e7as come\u00e7aram a chorar. Eles passaram meia hora interrogando-o na frente de todo mundo, para todos verem, sem o menor pudor\u201d, contou Maria. Cerca de 20 moradores entrevistados alegaram ter j\u00e1 sofrido viol\u00eancia policial ou a testemunhado.<\/p>\n<p>Questionada sobre essas den\u00fancias, a Pol\u00edcia Militar informou que abriu uma investiga\u00e7\u00e3o na Corregedoria para apurar os nomes dos agentes. Nesta semana, os moradores decidiram denunciar a a\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual. O maior receio deles, no entanto, \u00e9 ter de deixar a ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cA gente n\u00e3o tem outro lugar para ir. Se der um despejo aqui, a gente vai ficar tudo na rua\u201d, disse Genivaldo Santos.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o do Cambuci vem sofrendo uma s\u00e9rie de investimentos imobili\u00e1rios. A rua da Independ\u00eancia faz parte da Opera\u00e7\u00e3o Urbana Mooca-Vila Carioca, um dos projetos da prefeitura de S\u00e3o Paulo que busca intervir na organiza\u00e7\u00e3o da cidade. As opera\u00e7\u00f5es v\u00eam promovendo uma s\u00e9rie de despejos de im\u00f3veis ocupados nas \u00e1reas que compreendem. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano afirma que projetos para a rua est\u00e3o em fase de estudo, devendo ser conclu\u00eddos at\u00e9 o fim do ano, e n\u00e3o se sabe ainda se dever\u00e1 haver alguma proposta para o n\u00famero 382, onde est\u00e1 localizada a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Fonte: Rede Brasil Atual<\/em><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boa parte da sociedade paulistana pode n\u00e3o saber da exist\u00eancia da ocupa\u00e7\u00e3o Sete, edif\u00edcio abandonado na rua da Independ\u00eancia, no bairro do Cambuci, zona sul de S\u00e3o Paulo, onde vivem 370 pessoas. A Pol\u00edcia Militar (PM), contudo, parece conhec\u00ea-la bem. Os sem-teto que ali vivem dizem, quase em coro, que a agress\u00e3o policial faz parte do dia a dia da ocupa\u00e7\u00e3o. Nesta semana, os moradores devem instalar o s\u00e9timo port\u00e3o no edif\u00edcio. 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