Cambuci é um dos bairros mais frequentados por casados em SP

Se você é solteiro em São Paulo e procura encontrar seus iguais, o distrito ideal para viver é Pinheiros, na zona oeste. Pelas ruas da boêmia Vila Madalena, do próprio bairro de Pinheiros e de parte dos Jardins, há exatamente 4.432 pessoas na mesma situação que você. Nesses bairros – cercados por universidades e repletos de barzinhos e baladas -, 7% da população é solteira, a maior proporção da capital.

Como não poderia deixar de ser, comércio e serviços se formaram para atender ao contingente avulso que circula por ali. No distrito campeão de desimpedidos da capital, opção não é problema.

Começa logo de manhã. “Sempre que posso, tomo um café caprichado em alguma padaria das redondezas. Não é sempre, mas já aconteceu de conhecer uma garota, que, como eu, tinha uma revista ou jornal na mão. Puxei papo sobre o que ela lia e acabamos saindo”, conta o personal trainer Alexandre Portelli, de 27 anos, solteiro “por opção”, morador da Vila Madalena. “Para encontrar gente disposta a conhecer outras pessoas, é o melhor bairro. Só saio daqui quando me casar. Mas ainda demora…”

No intervalo para o almoço, um passeio pelas galerias de arte de Pinheiros ou Jardins é outro programa procurado pelos solteiros. “Num lugar assim, se você gosta de arte, vai encontrar gente com gosto parecido ao seu. Isso aproxima, pode virar uma amizade”, diz a designer Vivian Battiloro, de 48 anos, que vive em Pinheiros. “É um bairro de fácil acesso, entre vias importantes e as duas marginais. Também fica entre as Avenidas Paulista e Faria Lima, onde há muitas empresas que empregam gente jovem.”

Ainda no campo cultural, um passeio pelas muitas livrarias da região é outra estratégia para encontrar gente solteira. Na Fnac, em Pinheiros, cerca de 65% dos frequentadores são solteiros e 35% estão na faixa dos 20 aos 29 anos. “Dá para puxar papo com alguém que está na mesma seção de livros que você”, ensina o estudante Matheus Antunes, de 23 anos. “Sempre existe a chance de o gosto ser parecido.”

Para a noite, não faltam opções. Só na Vila Madalena há 250 bares e casas noturnas. Se a ideia é interagir, há lugares em que se pode sentar ao lado de estranhos, como o Bar Balcão, nos Jardins. “Confesso que nunca tive muito sucesso nesse tipo de lugar, mas não parei de tentar”, diz o músico Júlio Augustin, de 31.

Em Pinheiros, existe até agência de turismo e eventos especializada no público “single”. “Escolhemos o bairro pelo perfil do público. Aqui nossas promoções se espalham muito mais rapidamente”, diz Yolanda de Oliveira, dona da Terrazul Singles Club, fundada em Higienópolis e transferida para lá. “Pinheiros fica entre universidades, como a USP, no Butantã, e a PUC, em Perdizes. Isso também deve ter ajudado a compor o perfil dos moradores do bairro.”

…Ou se já entrou na turma dos casados

Cinco casais à frente, um exemplo para todo o bairro. Naquela manhã de domingo, duas semanas atrás, as 180 pessoas que lotavam a Igreja Santa Ângela e São Serapião, no Cursino, zona sul, entenderam o recado. Quando o padre Anísio Hilário, o mais antigo pároco da região, convocou os cinco casais para subirem no altar, o que procurava era incentivar jovens do bairro a seguirem “uma vocação natural do lugar”.





Além de ponto obrigatório de admiradores da fauna e flora – os Jardins Botânico e Zoológico estão localizados ali -, o Cursino é também o distrito onde, proporcionalmente, há mais casados na capital.

E qual o motivo? “Se as pessoas se casam na Igreja Católica, é porque se sentem convocadas a participar. Acho que um dos diferenciais é a atividade paroquial que temos aqui. Somos uma igreja muito presente na comunidade”, diz, orgulhoso, padre Anísio, de 53 anos, há nove à frente da paróquia Santa Ângela, a mais antiga do Cursino. “E também colabora essa ‘configuração de interior’ de parte do bairro.”

O religioso se refere ao largo da igreja, com uma enorme praça na frente e, ao lado, um salão paroquial para as festas – casamentos marcados ao longo de todo o mês de fevereiro. “Isso traz um clima acolhedor e, como é área de convívio, aproxima a população da igreja. Assim, as pessoas valorizam a família. E, consequentemente, valorizam o casamento.”

Segundo o levantamento do Estado e da Escopo Geomarketing, no bairro Cursino o número de casados é seis vezes maior do que o de solteiros: há 37.595 pessoas casadas (36% dos moradores do bairro) e 5.663 solteiros (5,4%).

Um desses casais – também chamado à frente na missa do padre Anísio – é formado pelo professor Ewerton, de 27 anos, e a advogada Vanessa Menezes Fernandes, de 25. Os dois são nascidos, criados e casados no Cursino.

“Muita gente procura igrejas mais badaladas, fora daqui. Mas, no nosso caso, quisemos que as pessoas que nos viram crescer no bairro se sentissem acolhidas em um local que conhecem bem”, explica Ewerton. “A festa fica mais bonita quando existe algum vínculo, quando as pessoas sentem que pertencem ao local.”

Emoção. Outra vantagem de casar “no bairro”, ele conta, é que, por conhecer os noivos, o padre sente liberdade para tornar o casamento “especial”. “Como ele acompanhou nosso namoro desde o início, fez piadas e até ficou nervoso”, conta o professor. “Na verdade, ele ficou tão emocionado que até esqueceu da hora do beijo. Tive de lembrá-lo do ‘e você pode beijar a noiva’.”

Tímido, padre Anísio Hilário desconversa com um “acontece…” e já planeja a lição que quer deixar “às novas gerações”.

“Já que é característica do nosso bairro, o altar ficará ainda mais lotado de noivos nas próximas missas”, promete.

Onde estão os solteiros
1º Pinheiros
2º Itaim-Bibi
3º República
4º Jd. Paulista
5º Consolação
6º Santana
7º Moema
8º Vila Mariana
9º Bela Vista
10º Santo Amaro
Onde estão os casados
1º Cursino
2º Butantã
3º Tremembé
4º Tucuruvi
5º Rio Pequeno
6º Cambuci
7º Socorro
8º Barra Funda
9º Vila Leopoldina
10º Mandaqui

Fonte: O Estado de S. Paulo





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